Dia 3: "A preguiça é a mãe de todos os vícios, e como mãe deve ser respeitada!"

O despertador gritava pela minha atenção, como uma criança ansiosa por um carinho, que neste caso seria mais uma grande dedada para o desligar. Tentei erguer-me mas parecia pesar toneladas ou isso, ou a minha cama tinha uma anomalia gravimétrica, teoria que por acaso já apliquei também nas tão conhecidas escadas monumentais da Universidade, aparentemente não são assustadoramente cansativas mas assim que se sobe o primeiro degrau é como se a gravidade duplicasse. Deixando estes pormenores de parte, esforcei-me a sair da cama e a tomar o pequeno almoço enquanto o fazia uma enorme preguiça abateu-se sobre mim e com isso a famosa dor de cabeça que me tem perseguido a semana toda.
Decidi faltar à primeira aula assim podia aproveitar para descansar um pouco mais a cabeça, deitei-me sobre a cama e repeti mentalmente "Não posso adormecer, só quero fechar os olhos por alguns segundos", por precaução marquei o despertador para a hora ideal para apanhar o próximo autocarro. Não foi grande admiração quando só acordei passado várias horas e com uma enorme frustração por ter faltado, como tinha tarde livre não havia necessidade de sair de casa e , como tal, peguei no tablet e vi algumas das minhas séries favoritas.
Vários pensamentos ficaram a perambular na minha cabeça, sobre o que se tinha sucedido e sobre o que fazer da minha vida, eu gosto do meu curso, a princípio nem tinha muita certeza se seria o que realmente queria mas agora acho que não me arrependo da escolha que fiz, no geral, os meus colegas são simpáticos e muito sociáveis, já para não falar do melhor padrinho de praxe, sinto que ele está lá sempre para me apoiar quando preciso e quando é preciso esta lá para repreender também, acho que os medos de uma família de praxe de fachada caíram completamente por terra, mesmo sem parentesco evidente, o coração está marcado pelo laço que une um padrinho ao seu afilhado, seja pela água sagrada de Deus ou pelas águas do Mondego, ambas circulam nas minhas veias e já marcaram a alma, ambas fazem parte do rumo que a minha vida tomou, ambas fazem parte de mim e não abdico de nenhuma delas.
Sou muito preguiçoso, e admito-o, não me orgulho disso mas a própria preguiça não tem forças para se auto ajudar, desleixo-me até ao último segundo em termos de estudo e tento adiar ao máximo qualquer tarefa que exija esforço, odeio-me por isso, sei que esse facto para além de tornar o dia mais tristonho, também não é psicologicamente saudável. Despendi algum do meu tempo a ajudar a minha mãe e a navegar pelo YouTube, para ver qualquer notificação de novos vídeos para que daí uns prováveis 10 min de vídeo se tornassem em horas pois a lista dos relacionados parecia tão interessante.
Não sei se é algo que só me acontece a mim mas sempre que estou com preguiça se opto por não fazer algo que devia fazer isso só vai fazer com que aumente a preguiça e todas as tarefas seguintes sejam ignoradas ou apenas semi-realizadas. Ah, mas a culpa é minha? O meu cérebro diz que não, portanto...
Então não é verdade que "a preguiça é a mãe de todos os vícios, e como mãe deve ser respeitada"?

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