Dia 2: Deitar tarde e cedo erguer, dá trabalho e faz sofrer!

Acordo com a minha mãe a chamar-me e a dizer-me que já passa da hora de levantar, esfrego os olhos e olho para o telemóvel ao meu lado, ainda tinha tempo para me preparar e comer mas tinha que me apressar.
Verifico os alarmes que tinha deixado do dia anterior, todos eles se cansaram de tocar e acabaram por desistir pois eu não acordei e, quando digo todos, refiro-me aos vários alarmes que programo no telemóvel pois apenas um não é suficiente e, pelo que posso comprovar, nem que tivesse dez alarmes seriam o suficiente. Passo algum tempo a olhar para o roupeiro e a examinar todas as peças de roupa que tenho, remexendo e fazendo um movimento de negação com a cabeça a todas. Perguntava-me se poderia fazer uma combinação diferente, parece que em vez de acumular roupa esta vai desaparecendo, estou a precisar de nova roupa mas por outro lado quando vejo os preços desisto sempre. O meu gosto é um pouco estranho porque gosto de coisas diferentes, que não se veja diariamente nas outras pessoas mas que fique bem ao mesmo tempo, sendo que esta ultima parte só se aplica aos dias em que tenho tempo de ponderar o que levo vestido nesse dia. Como tenho pouco tempo, hoje é um desses dias, tiro uma camisola cinzenta e uma camisa avermelhada e umas calças de ganga.
Tomei o pequeno almoço e assim que saí à rua voltei imediatamente para dentro de casa e fui buscar um casaco, ontem a temperatura estava ótima mas hoje descera severamente. Entrei no carro e partimos em direção à paragem, o dia estava igualmente frio, as nuvens cobriam o céu como um véu rasgado e sujo, escurecido e amarelado. Paramos enquanto o autocarro também o fazia, dando-me tempo para sair e juntar me à pequena fila de pessoas que esperavam para entrar. Como sempre recebo uma quantidade significativa de mau humor do condutor, e deixem-me fazer um parênteses aqui, porque não sei se é só minha impressão mas alguns fazem o seu trabalho como se fosse um sacrifício e ainda estamos sujeitos a levar com uma faísca do seu subconsciente que culpa a vida por este destino, não estou a desprezar o trabalho do motorista, pelo contrário, percebo que não deve ser fácil lidar com todas as pessoas que encontram diariamente com diferentes tipo de humor mas sejamos realistas se é este o emprego que têm, pelo menos, nem que usando parte da sua falsidade, sejam simpáticos para alguém que receberão simpatia de volta e isso talvez torne o trabalho mais fácil de suportar.
Como eu estava a dizer, após entrar no autocarro e receber energias negativas do motorista, escolho um lugar o mais a meio do autocarro possível, porquê? Ao longo do tempo com todas as boas e más experiências criei regras para me facilitar quando estou sozinho, porque agir em grupo é muito mais fácil e menos constrangedor para mim do que quando estou sozinho, estas regras permitem-me evitar situações embaraçosas ou que o meu cérebro considera como uma forma de os outros me julgarem, sim... ao contrário de muita gente, não gosto de sentir que me estão a observar e a comentar mesmo que apenas em pensamento, e por isso podem começar-me a chamar paranóico, eu mesmo já aceitei esse facto.
Chego ao destino e preparo-me psicologicamente para o percurso que se segue, pois a paranóia não se fica por aí, apenas quando encontro alguns colegas ou alguém conhecido é que o meu cérebro consegue descontrair mas vou deixar os pormenores dessas coisas de lado.
Chego à Universidade e vou diretamente para a sala, depois da primeira aula o sono apodera-se de mim, não consegui manter os olhos abertos nem a cabeça fixa pois todos os músculos do meu corpo pareciam estar demasiado cansados, não é de admirar, pois alguns dias acabo por dormir umas miseras duas horas. No dia seguinte é como se o meu corpo estivesse flácido, sem força e mesmo só de mexer os músculos me faz doer a cabeça e a algum tempo para cá tenho agravado isto continuando com o mesmo mau hábito, o que conciliado com o stress de todas as coisas que se têm passado ultimamente, resulta em dor de cabeça mais frequentemente e num apetite estupendo, o que também traz outras consequências.
Por fim, vou te a ultima aula que seria com um professor que ainda não conhecia, por momentos quando ele começou a falar pensei que tivesse sido impressão minha mas logo percebi que a única impressão que tinha era a de uma piada de mau gosto sobre o tom “tiazinha” que ele usava. Odeio gozar com as pessoas e que outros o façam também, excepto em duas situações: brincadeira entre amigos ou pessoas que tenham feito algo com maldade e que isso os prejudique a eles próprios. Mas cada vez que prestava atenção nas palavras dele o meu cérebro parecia disparar em julgamentos de todo o tipo sobre ele, decidi então focar-me em desenhar e assim que tive a oportunidade, liguei o meu router á tomada da bancada para este carregar, para que a viagem de autocarro de regresso não fosse tão solitária e desgastante. Acabei por mais uma vez quase adormecer e assim que cheguei a casa a primeira e ultima paragem foi na cama. Deitar tarde e cedo erguer, nao mata mas faz sofrer!

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