Águas Passadas

Livro I: “Lugar Nenhum” / Capitulo: “Inverno”

 

Águas Passadas

 

Vento do Leste, Vento de Norte,

A vós vos peço, humildemente

Mudai o rumo à vela decadente

Que ainda guia esta triste sorte.

 

Navego sem ter onde parar,

Num alento que causa transtorno

Não peço abrigo, nem retorno,

Nem porto firme onde ancorar.

 

Fui casa erguida contra o vento,

Com o tempo aprendi a viver

Com a idade fiquei a saber,

Que há conforto no alento.

 

Vento do Sul, Vento do Oeste,

Traz de volta a melancólica esperança,

Que em tempos prometeu bonança

Essa fora outrora crença celeste.

 

Sentinela de olhos no mar,

Hoje sigo sem juramento,

Levo no peito o ensinamento

Que esperar também é naufragar.

 

Ó grande Adamastor, ouve esta oração

Não quero padecer no esquecimento

Leva apenas o velho sentimento

Como última forma de salvação.

 

FRANCISCO, Diogo, 2026. Águas Passadas.

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