Eterna Sentinela

 Livro I: “Lugar Nenhum” / Capitulo: “Inverno”


Eterna Sentinela

 

A brisa rodopia em torno dos amantes,

Tudo mudou - nada é como antes

O deslizar das gélidas gotas de água

Cura a dor e amansa a mágoa.

 

Na sua mente ficam memórias

de um velho passado de outrora

Que não volta, mas que recorda

As antigas e sábias histórias

 

Abraçados diante da velha igreja,

Beija-lhe os lábios cor de cereja,

Jurando eterna fidelidade

Por mera casualidade

 

Da antiga e envelhecida janela,

Ela vê o mundo lá fora,

Cega pela paixão que devora,

Assim permanece: eterna sentinela.

 

Sentada junto à lareira esmorecida,

Ali se conserva – esquecida.

Escreve com as cinzas o seu fado:

Um coração de amor abandonado.

 

Escrava de sua fatídica sina

Abraça, com saudade, a lembrança

daquilo que viveu e que já passou

Naquela fatigada oficina

 

Os seus corpos emanam fogo

Meros peões num velho jogo

Desvanecem-se lentamente no ar:

É a velha fotografia a queimar!

 

A foto carbonizada desfaz-se no ar

A esperança finda junto ao mar

Onde dos seus braços fora arrancado

O homem por quem seu coração fora tomado

 

FRANCISCO, Diogo, 2026. Eterna Sentinela.

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