Eterna Sentinela
Livro I: “Lugar Nenhum” / Capitulo: “Inverno”
Eterna Sentinela
A brisa rodopia em
torno dos amantes,
Tudo mudou - nada é
como antes
O deslizar das
gélidas gotas de água
Cura a dor e amansa a
mágoa.
Na sua mente ficam
memórias
de um velho passado de
outrora
Que não volta, mas que
recorda
As antigas e sábias
histórias
Abraçados diante da
velha igreja,
Beija-lhe os lábios
cor de cereja,
Jurando eterna
fidelidade
Por mera casualidade
Da antiga e
envelhecida janela,
Ela vê o mundo lá
fora,
Cega pela paixão que devora,
Assim permanece:
eterna sentinela.
Sentada junto à
lareira esmorecida,
Ali se conserva – esquecida.
Escreve com as cinzas
o seu fado:
Um coração de amor
abandonado.
Escrava de sua
fatídica sina
Abraça, com saudade,
a lembrança
daquilo que viveu e que
já passou
Naquela fatigada
oficina
Os seus corpos emanam
fogo
Meros peões num velho
jogo
Desvanecem-se
lentamente no ar:
É a velha fotografia
a queimar!
A foto carbonizada
desfaz-se no ar
A esperança finda
junto ao mar
Onde dos seus braços
fora arrancado
O homem por quem seu
coração fora tomado
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