O que não te mata, deixa-te mal disposto...
Os dias de tédio chegaram ao fim! Prepare-se para uma viagem
inesquecível onde há de tudo um pouco, esteja completamente à vontade para
relaxar e apreciar as vistas que as grandes janelas panorâmicas lhe oferecem,
sente-se, aconchegue-se e ponha o cinto, isto se houver cinto. Estamos prontos
para iniciar uma viagem capaz de mudar a vida a qualquer um, sozinho ou
acompanhado, formalmente vestido ou com roupa do dia-a-dia, estará sujeito a
uma experiência capaz de mudar a sua maneira pensar, para alguns uma
experiência curta para outros tão longa que parece que já lá estão à dias, é
sem duvida um viagem de inspiração e reflexão mas para outros a maior maçada a
que são sujeitos.
Comigo, depende dos dias efectivamente, posso de tal forma
ser inspirado que parece que sou capaz de escrever o maior romance alguma vez
escrito como posso ser invadido por um tremendo sono que os meus olhos não
conseguem se manter abertos e, talvez o pior, uma mistura de sono com uma certa
inspiração que colidem numa vontade de descrever o mundo mas com uma preguiça
que parece que quanto mais se quer pensar mais lento o pensamento fica e eis
que num dia desse tipo, no banco anterior ao meu começa uma discussão de como
proceder quando se tem um problema com empresa que lhe fornece Internet.
Primeiro procedimento e, o mais importante, reclamar! Tendo
total conhecimento de cláusulas do contrato bem como o assunto a que se quer
reclamar, para que de forma alguma possamos ser enganados, pelo menos na ideia
dele seria assim.
Segundo passo seria exigir! Como clientes devemos exigir
aquilo a que temos direito, segundo as cláusulas do contrato mais uma vez, se
necessário deveríamos pedir ainda mais pelo transtorno que nos causaram e
salientando que se a culpa não é nossa era necessário sermos beneficiados em
troca de alguma forma, “não pago os dias em que não usei a Internet” exigiu
este ao apoio a cliente e, depois de alguma argumentação, lá teve o seu desejo
satisfeito.
Em situações normais não me importaria de tal conhecimento,
apesar de não ser algo novo, era sem dúvida uma boa maneira de recuperar os
procedimentos para um caso de necessidade, o problema foi que numa viagem de
aproximadamente uma hora o tema foi o mesmo não precisamente sobre os
procedimentos mas com exemplos de uso dos mesmos.
Sem recurso aos auscultadores e sem plafon de Internet, a escapatória era inevitável, escrever algo era impossível pois para alem de o tema já estar mais que usado, era possível de se ouvir em quase todo o autocarro, portanto o meu cérebro em vez de pensar só repetia sarcasticamente todas as palavras que ouvia daquela conversa.
Sem recurso aos auscultadores e sem plafon de Internet, a escapatória era inevitável, escrever algo era impossível pois para alem de o tema já estar mais que usado, era possível de se ouvir em quase todo o autocarro, portanto o meu cérebro em vez de pensar só repetia sarcasticamente todas as palavras que ouvia daquela conversa.
A minha morte psicológica estaria eminente, a ouvir um
assunto mais que esgotado mas no entanto infindável, era certo que amálgama da
minha vontade de escrever com aquele caso quotidiano e bravamente bem-sucedido
do rapaz me deu uma má disposição que já não era habitual ter nos autocarros.
Bem, se não mata, definitivamente deixava mal disposto.
Observar a paisagem verdejante do caminho atribulado consola
os olhos, a calma dos campos e os animais que passavam como relâmpagos de um lado
para o outro da estrada trazem de volta a alegria, o suave rugir motor dos
autocarros modernos e os fracos tremores que provocam parecem embalar, nos
bancos macios e levemente inclinados para trás.
O chiar dos travões e o aumento da vibração do autocarro declara a nossa chegada ao destino ou às demais paragens que possa ter pelo caminho, as portas abrem-se vagarosamente com um movimento sereno, forma-se uma pequena fila de pessoas que descem as escadas, pé ante pé, deslizando a mão pelo corrimão, saindo rapidamente do autocarro e inspirando profundamente colectando o aroma flutuante do seu tão aguardado destino.
A viagem terminou, mas volte sempre que quiser,
esperamos por si com as maiores noticias e conversas que alguma vez ouviu,
mantenha-se actualizado diariamente sobre um amplo tipo de temas, se hoje o
desporto não lhe agradou, amanhã a criminalista Maria Conceição está cá para
lhe contar do roubo á igreja e não se esqueça, seja ecológico, use os
transportes públicos.O chiar dos travões e o aumento da vibração do autocarro declara a nossa chegada ao destino ou às demais paragens que possa ter pelo caminho, as portas abrem-se vagarosamente com um movimento sereno, forma-se uma pequena fila de pessoas que descem as escadas, pé ante pé, deslizando a mão pelo corrimão, saindo rapidamente do autocarro e inspirando profundamente colectando o aroma flutuante do seu tão aguardado destino.
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