As pedras podem magoar assim como as palavras!

A experiência de uma queda é definitivamente algo que todos temos em comum, tenha sido em criança ou em adulto a dor de um escorregão num chão molhado é inesquecível (e não por boas razões como é óbvio). A dor que se sente depende do tipo e da intensidade da queda, bem como da razão pela qual se cai, por vezes rimo-nos, enraivecemo-nos ou até choramos. O que é que as palavras tem a ver com as quedas? Tudo, são exactamente iguais excepto no modo como elas nos provocam dor, uma causa dor física enquanto que a outra nos afecta a nível psicológico. Qual a pior? Diferentes circunstâncias provocam níveis diferentes de dor e normalmente as duas dores aparecem interligadas, mas não obrigatoriamente. É também verdade que ambas são guardadas pela memória, para que saibamos o que nos causa aquela dor e assim podermos evitar, é sem duvida um mecanismo bom mas esta memorização implica sejam gravados episódios em que essa dor foi sentida e pode gerar fobias, traumas ou doenças psicológicas associadas ao medo que não queremos experiênciar outra vez e que para isso sentimos medos e daí reprimirmos a nossa vontade em função desse medo.
Isto é muito debilitante pois o medo faz-nos fugir e evitar algumas situações com as quais poderíamos aprender e que nos iriam ajudar futuramente, sendo que estes medos são normalmente criados pela dor psicológica.
As palavras tem sido usadas como armas, nas disputas politicas, em discussões e, em casos mais degradantes, para rebaixar os outros e como modo de agressão para aqueles que não demonstram autoconfiança. Esta ultima é sem dúvida o pior uso que se pode dar as palavras mas, infelizmente, está a tornar-se cada vez mais comum ver-se pessoas que inferiorizam ao máximo aqueles que não podem ou não querem, por medo de comprometer a sua segurança, ripostar contra os que os atacam verbalmente pois não tem quem os ajude, o medo que as palavras criam na cabeça das pessoas é menosprezado pelos outros até estes a sentirem. A dor psicológica e as lembranças de uma humilhação não são facilmente esquecidas e por isso acompanham a pessoa até que uma lembrança se sobreponha, não apagando a má lembrança mas apenas mascarando-a.
Por isso é que o bullying é hoje reconhecido como crime, os estragos que ele provocam na pessoa são inimagináveis e extremamente perturbantes, o medo que é adquirido pelas pessoas que sofrem bullying condiciona-lo para o resto da vida, principalmente na sua vida social e na sua abertura para com os outros, em alguns casos se não tiverem apoio de ninguém, essa pessoa opta por tirar a sua vida. Para uma pessoa que sofre de bullying, o apoio de alguém é importante para que este não desista, o simples facto de terem alguém que se preocupam com os sentimentos deles é o suficiente para que este não chegue a pontos extremos.
Todos nós com ou sem intenção magoamos alguém, às vezes até chegamos a humilhar-lhos, devido ao stress ou se estivermos, como se costuma dizer, "de cabeça quente" mas isto dá-nos o direito de condenar alguém pelo que estamos a sentir? Não e, caso o façamos, por um descontrolo momentâneo, deveríamos desculpar-nos e tentar remediar o nosso erro.
Arrependermo-nos ou fazer amizade com pessoas diferentes não é motivo para ter vergonha ou repugnância mas sim de orgulho pois fomos capazes de ver a pessoa, não pelo que ela é exteriormente mas pelo que ela pode ser realmente, ser diferente não é mau pois se todos fossem iguais não conheceríamos as vantagens que algumas pequenas diferenças podem ser boas na nossa vida. Devemos nos adaptar diariamente de modo a nos tornarmos cada vez melhor, aceitar as diferenças e apoiar os outros.
Pois acreditem ou não as palavras são pedras que atiramos aos outros quando as usamos de forma errada, aparentemente não se vêem mas quando batem na pessoa deixam hematomas que mesmo o tempo demora a curar, se algum dia o conseguir a curar.

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