Mini-história: "Aquela rapariga" (4ª Parte)
(dois dias antes do desentendimento)
Desatámos as duas a rir desalmadamente, tentava controlar o volume da minha gargalhada mas esta saia-me quase por impulso.
- Estás completamente bêbada! - disse-me ela rindo.
- Olha quem fala. - ripostei dando-lhe um encontrão no braço, a voz saiu um pouco rouca.
Mal conseguia fixar o olhar em algo, a minha cabeça parecia que estava a andar à roda, mesmo sentada tinha uma sensação de queda eminente. Lutava para combater isto à medida que ela pedia mais bebidas e eu, para não parecer mal, não as recusava.
A sensação de tontura aumentava e o controle que tinha do meu corpo parecia desaparecer também.
A ultima coisa que me lembro é de ela me perguntar se queria ficar em casa dela, visto que os seus pais tinham saído do país e de eu ter mandado uma mensagem aos meus pais a avisá-los mas depois de mais algumas bebidas é como se tivesse desmaiado e tudo fosse negro.
***
Uma luz suave e quente, penetrava a pele da minha pálpebra e iluminava o interior do meu olho de um vermelho vivo, abri os olhos protegendo-os com a mão que desenterrei por debaixo dos lençóis. Os raios de sol trespassavam as aberturas das persianas e iluminavam o quarto, - o quarto que não era meu - sentei-me na cama e olhei em volta. não conhecia o sitio onde estava, sem querer toquei com a mão que me sustinha em alguém que estava na cama.
Olhei para o lado e, para meu espanto, vi-a deitada ao meu lado na cama, nunca tínhamos dormido as duas era deveras muito estranho, comecei a sentir-me estranha, não era possível que tivesse acontecido algo, era?
A porta do quarto começa a abrir-se lentamente e aparece o namorado dela, apenas com uns boxers vestidos, olhou para mim e fez um sorriso, um sorriso demasiado estranho para meu gosto, parecia um sorriso de engate, "o que raio se está a passar aqui??" pensei.
-Já acordaste? Venham até à sala, tenho uma coisa para vos mostrar. - proferiu com uma voz suave, ainda com aquele sorriso, por momentos quase me parecia devorar com os olhos.
Saiu do quarto, ouvi os seus passos a afastarem-se, virei-me para o lado e balancei-a.
-Acorda!! Acorda, o que é que se passou? - falei baixo, quase um murmúrio, para que onde quer que ele estivesse não me ouvi-se.
Ela gemia enquanto se mexia na cama, parecia de prazer.
"Mas que raio se passa aqui??" pensei completamente assustada.
-O que é? - indagou com a voz rouca, provavelmente por estar a acabar de acordar - Que é que te deu?
-Onde é que estamos? Porque é o que o teu namorado está aqui? - estava disposta a disparar um monte de perguntas, mas esta interrompeu-me quando se levantou repentinamente.
-O meu namorado? Espera... Porque é que estamos no quarto dele? - ela agora parecia mais confusa e assustada do que eu.
Trocamos olhares, encarámo-nos durante um tempo à espera que uma de nós decifrasse o mistério de estarmos ali as duas em casa do namorado dela.
Estávamos ambas em roupa interior e tínhamos uma almofada entre nós sem ninguém, sai desesperadamente da cama e corri para a minha roupa que estava espalhada naquele lado da cama mas uma forte picada pareceu perfurar-me a cabeça, apoiei a mão no armário de modo a evitar uma queda, sentia-me tonta e a cabeça latejava, quando finalmente recuperei o equilíbrio vesti-me e encaminhámo-nos para fora do quarto.
Seguimos um som de pessoas a falarem, parecia a minha voz e a dela mas nós mantínhamos silêncio, chegamos então à sala de onde provinha o som, o namorado dela estava sentado num sofá ainda só com os boxers, os seus abdominais sobressaiam, era musculado desde os braços até às pernas, nunca estive muito tempo com ele, por isso não tinha reparado na sua estatura e os seu músculos, o seu cabelo estava meio desgrenhado mas de uma forma que não lhe ficava mal, fazia-o parecer ainda mais atraente, o que me deixava ainda mais assustada, pois não era o momento ideal para estar a contemplar o seu corpo.
Ouvi uma gargalhada minha, advinha da televisão, desviei o olhar para ela rapidamente, era uma gravação, eu estava a segurar uma cerveja e a rir-me desalmadamente assim como ela, que se ria apoiando-se em mim.
Olhei de lado sem virar a cabeça da televisão para ver a reacção dela, esta estava com os olhos postos na televisão com as sobrancelhas carregadas, numa expressão de confusão e de seriedade ao mesmo tempo.
Olhei para o namorado e este continuava a sorrir com aquele sorriso malicioso, continuamos a assistir o video onde estávamos, de pé e junto à porta da sala.
O video continuava connosco em plano, a bebermos e a rirmos, até que o namorado dela nos convida a ir para o quarto e nós aceitamos, era ele quem segurava a câmera, a imagem estava meio distorcida enquanto nos encaminhávamos para o quarto mas dava para perceber que nós íamos à frente dele e íamos olhando para trás tentando provoca-lo fazendo algumas poses sensuais, sentia-me a corar, estava a sentir-me mal pelo que tinha feito, estava-me a atirar ao namorado dela à descarada mas ela não se parecia importar no video, pois na realidade pelo que vi quando olhei para ela estava com uma expressão zangada.
Ela encaminha-se para a televisão e prepara-se para a desligar mas ele interrompe-lhe o movimento do braço agarrando-o.
-Vejam até ao fim. - profere ele, aquele sorriso parecia que lhe tinha sido pintado, apetecia-me tirar-lho à pancada.
Ela dá alguns passos atrás e lança um olhar furioso ao namorado.
Chegados ao quarto vê-se que ele se atira para a cama pelo movimento brusco da câmera, nós trocámos olhares maliciosos e começámos a entrar lentamente na cama, deslizando sensualmente. "Isto não é verdade... não pode ser..." pensei repetidamente enquanto começava a lembrar-me do que estava a acontecer no video mas desta vez pelos meus próprios olhos.
Via-o deitado de pernas abertas na cama a apontar a câmera para nós, a tirarmos a camisola e a atira-la para trás, ele tirou a sua T-shirt, enrolou-a atirando para o chão enquanto nós nos debruçávamos sobre ele beijando-o do pescoço até ao peitoral. Subi para o beijar o lábios, o meu primeiro beijo, sentia o calor do seu corpo ao tocar no meu, as suas mãos percorreram as minhas costas e estavam agora a desapertar-me as calças.
Estava em pânico enquanto as memórias da noite passada emergiam do fundo da minha mente e passava-me como um filme no meu consciente, a dor de cabeça aumentava, tudo aquilo me congelava o corpo, sentia-me tonta mas o meu corpo não se movia.
Olhei para ela, parecia petrificada a olhar para o ecrã, os seus olhos estavam vermelhos prontos a chorar a qualquer momento.
Não conseguia impedir aquelas imagens dele a tocar-me o corpo de se revelarem, sentia-me enojada como se tivesse caído numa poça de lama e todo o meu corpo estivesse sujo, o que não era estranho pois eu tinha dormido com o namorado da minha melhor amiga, aliás nós as duas e ele, o que tornava ainda pior a situação de uma ressaca com amnésia seguida de uma tremenda descoberta que obviamente nos deixou perplexas.
Ela dirige-se a ele com um olhar furioso de onde as lágrimas jorravam como uma nascente, ela levanta o braço e num movimento rápido dá-lhe uma estalada.
-Nojento! - grita, desligando a televisão e voltando-se para mim. - E tu, por amor de Deus, desaparece-me da frente!
Por momentos pensei que iria-me fazer o mesmo que lhe fez mas, quando se preparava para fazê-lo, baixou o braço e passou por mim.
O ar que esta fez quando passou por mim, embateu na minha cara e pareceu acordar o meu corpo, virei-me e tentei ir atrás dela.
-Espera! Espera! Eu... eu não tive culpa! Espera! - foi um grito final esganiçado.
Saí da casa dele e tentei procurá-la na rua mas não havia sinais dela, ela poderia ter ido por qualquer direcção, eu não conhecia exactamente onde estava e não arrisquei sair de onde estava com medo de não a encontrar e me perder.
Liguei para os meus pais para me virem buscar ali dando a desculpa que tínhamos ido passar a noite a casa de uma amiga dela, que por mais simples que tenha sido estes não questionaram e ainda bem que não o fizeram porque não queria ter de mentir depois do sucedido.
Só queria saber se ela estava bem, nada do que aconteceu foi propositado mas entendo que não seja fácil para ela e, com certeza, não foi fácil para mim entender que as duas coisas que eu queria guardar para alguém especial tivessem sido perdidas enquanto o álcool tomava conta de mim.
Desatámos as duas a rir desalmadamente, tentava controlar o volume da minha gargalhada mas esta saia-me quase por impulso.
- Estás completamente bêbada! - disse-me ela rindo.
- Olha quem fala. - ripostei dando-lhe um encontrão no braço, a voz saiu um pouco rouca.
Mal conseguia fixar o olhar em algo, a minha cabeça parecia que estava a andar à roda, mesmo sentada tinha uma sensação de queda eminente. Lutava para combater isto à medida que ela pedia mais bebidas e eu, para não parecer mal, não as recusava.
A sensação de tontura aumentava e o controle que tinha do meu corpo parecia desaparecer também.
A ultima coisa que me lembro é de ela me perguntar se queria ficar em casa dela, visto que os seus pais tinham saído do país e de eu ter mandado uma mensagem aos meus pais a avisá-los mas depois de mais algumas bebidas é como se tivesse desmaiado e tudo fosse negro.
***
Uma luz suave e quente, penetrava a pele da minha pálpebra e iluminava o interior do meu olho de um vermelho vivo, abri os olhos protegendo-os com a mão que desenterrei por debaixo dos lençóis. Os raios de sol trespassavam as aberturas das persianas e iluminavam o quarto, - o quarto que não era meu - sentei-me na cama e olhei em volta. não conhecia o sitio onde estava, sem querer toquei com a mão que me sustinha em alguém que estava na cama.
Olhei para o lado e, para meu espanto, vi-a deitada ao meu lado na cama, nunca tínhamos dormido as duas era deveras muito estranho, comecei a sentir-me estranha, não era possível que tivesse acontecido algo, era?
A porta do quarto começa a abrir-se lentamente e aparece o namorado dela, apenas com uns boxers vestidos, olhou para mim e fez um sorriso, um sorriso demasiado estranho para meu gosto, parecia um sorriso de engate, "o que raio se está a passar aqui??" pensei.
-Já acordaste? Venham até à sala, tenho uma coisa para vos mostrar. - proferiu com uma voz suave, ainda com aquele sorriso, por momentos quase me parecia devorar com os olhos.
Saiu do quarto, ouvi os seus passos a afastarem-se, virei-me para o lado e balancei-a.
-Acorda!! Acorda, o que é que se passou? - falei baixo, quase um murmúrio, para que onde quer que ele estivesse não me ouvi-se.
Ela gemia enquanto se mexia na cama, parecia de prazer.
"Mas que raio se passa aqui??" pensei completamente assustada.
-O que é? - indagou com a voz rouca, provavelmente por estar a acabar de acordar - Que é que te deu?
-Onde é que estamos? Porque é o que o teu namorado está aqui? - estava disposta a disparar um monte de perguntas, mas esta interrompeu-me quando se levantou repentinamente.
-O meu namorado? Espera... Porque é que estamos no quarto dele? - ela agora parecia mais confusa e assustada do que eu.
Trocamos olhares, encarámo-nos durante um tempo à espera que uma de nós decifrasse o mistério de estarmos ali as duas em casa do namorado dela.
Estávamos ambas em roupa interior e tínhamos uma almofada entre nós sem ninguém, sai desesperadamente da cama e corri para a minha roupa que estava espalhada naquele lado da cama mas uma forte picada pareceu perfurar-me a cabeça, apoiei a mão no armário de modo a evitar uma queda, sentia-me tonta e a cabeça latejava, quando finalmente recuperei o equilíbrio vesti-me e encaminhámo-nos para fora do quarto.
Seguimos um som de pessoas a falarem, parecia a minha voz e a dela mas nós mantínhamos silêncio, chegamos então à sala de onde provinha o som, o namorado dela estava sentado num sofá ainda só com os boxers, os seus abdominais sobressaiam, era musculado desde os braços até às pernas, nunca estive muito tempo com ele, por isso não tinha reparado na sua estatura e os seu músculos, o seu cabelo estava meio desgrenhado mas de uma forma que não lhe ficava mal, fazia-o parecer ainda mais atraente, o que me deixava ainda mais assustada, pois não era o momento ideal para estar a contemplar o seu corpo.
Ouvi uma gargalhada minha, advinha da televisão, desviei o olhar para ela rapidamente, era uma gravação, eu estava a segurar uma cerveja e a rir-me desalmadamente assim como ela, que se ria apoiando-se em mim.
Olhei de lado sem virar a cabeça da televisão para ver a reacção dela, esta estava com os olhos postos na televisão com as sobrancelhas carregadas, numa expressão de confusão e de seriedade ao mesmo tempo.
Olhei para o namorado e este continuava a sorrir com aquele sorriso malicioso, continuamos a assistir o video onde estávamos, de pé e junto à porta da sala.
O video continuava connosco em plano, a bebermos e a rirmos, até que o namorado dela nos convida a ir para o quarto e nós aceitamos, era ele quem segurava a câmera, a imagem estava meio distorcida enquanto nos encaminhávamos para o quarto mas dava para perceber que nós íamos à frente dele e íamos olhando para trás tentando provoca-lo fazendo algumas poses sensuais, sentia-me a corar, estava a sentir-me mal pelo que tinha feito, estava-me a atirar ao namorado dela à descarada mas ela não se parecia importar no video, pois na realidade pelo que vi quando olhei para ela estava com uma expressão zangada.
Ela encaminha-se para a televisão e prepara-se para a desligar mas ele interrompe-lhe o movimento do braço agarrando-o.
-Vejam até ao fim. - profere ele, aquele sorriso parecia que lhe tinha sido pintado, apetecia-me tirar-lho à pancada.
Ela dá alguns passos atrás e lança um olhar furioso ao namorado.
Chegados ao quarto vê-se que ele se atira para a cama pelo movimento brusco da câmera, nós trocámos olhares maliciosos e começámos a entrar lentamente na cama, deslizando sensualmente. "Isto não é verdade... não pode ser..." pensei repetidamente enquanto começava a lembrar-me do que estava a acontecer no video mas desta vez pelos meus próprios olhos.
Via-o deitado de pernas abertas na cama a apontar a câmera para nós, a tirarmos a camisola e a atira-la para trás, ele tirou a sua T-shirt, enrolou-a atirando para o chão enquanto nós nos debruçávamos sobre ele beijando-o do pescoço até ao peitoral. Subi para o beijar o lábios, o meu primeiro beijo, sentia o calor do seu corpo ao tocar no meu, as suas mãos percorreram as minhas costas e estavam agora a desapertar-me as calças.
Estava em pânico enquanto as memórias da noite passada emergiam do fundo da minha mente e passava-me como um filme no meu consciente, a dor de cabeça aumentava, tudo aquilo me congelava o corpo, sentia-me tonta mas o meu corpo não se movia.
Olhei para ela, parecia petrificada a olhar para o ecrã, os seus olhos estavam vermelhos prontos a chorar a qualquer momento.
Não conseguia impedir aquelas imagens dele a tocar-me o corpo de se revelarem, sentia-me enojada como se tivesse caído numa poça de lama e todo o meu corpo estivesse sujo, o que não era estranho pois eu tinha dormido com o namorado da minha melhor amiga, aliás nós as duas e ele, o que tornava ainda pior a situação de uma ressaca com amnésia seguida de uma tremenda descoberta que obviamente nos deixou perplexas.
Ela dirige-se a ele com um olhar furioso de onde as lágrimas jorravam como uma nascente, ela levanta o braço e num movimento rápido dá-lhe uma estalada.
-Nojento! - grita, desligando a televisão e voltando-se para mim. - E tu, por amor de Deus, desaparece-me da frente!
Por momentos pensei que iria-me fazer o mesmo que lhe fez mas, quando se preparava para fazê-lo, baixou o braço e passou por mim.
O ar que esta fez quando passou por mim, embateu na minha cara e pareceu acordar o meu corpo, virei-me e tentei ir atrás dela.
-Espera! Espera! Eu... eu não tive culpa! Espera! - foi um grito final esganiçado.
Saí da casa dele e tentei procurá-la na rua mas não havia sinais dela, ela poderia ter ido por qualquer direcção, eu não conhecia exactamente onde estava e não arrisquei sair de onde estava com medo de não a encontrar e me perder.
Liguei para os meus pais para me virem buscar ali dando a desculpa que tínhamos ido passar a noite a casa de uma amiga dela, que por mais simples que tenha sido estes não questionaram e ainda bem que não o fizeram porque não queria ter de mentir depois do sucedido.
Só queria saber se ela estava bem, nada do que aconteceu foi propositado mas entendo que não seja fácil para ela e, com certeza, não foi fácil para mim entender que as duas coisas que eu queria guardar para alguém especial tivessem sido perdidas enquanto o álcool tomava conta de mim.
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