Poema: "Águas Passadas"

Outrora, num milénio passado
Eu nascera, cavaleiro de alma
E coração de romântico desesperado
Do meu destino ninguém me salva

Levo comigo o fardo de meu antepassado
O espirito de fogo que não se acalma

Movido pela paz e pelo amor
Inúmeras batalhas venci
Exaltando o velho fulgor
Do valente homem que conheci

Naufragado num oceano de terror
Da guerra cujas razões não entendi

Rei de um povo moribundo
Sentado num trono de papel
Dele contemplo o mundo
Do povo que me é fiel

Não esperarei mais um segundo
Para conquistar Aljustrel

O meu reflexo está desfigurado
Na água turva com a qual me lavo
Próximo do fim está o meu reinado
Apenas de nome fica: O Bravo 

FRANCISCO, Diogo, 2015. Aguas Passadas.

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