Mini-história: "Aquela rapariga" (1ª Parte)

Uma vitória não era o suficiente, era um facto, de forma alguma poderia deixar que ela continua-se livremente por aí, bastava uma pequena confusão para que ela contasse tudo o que ninguém deveria saber.
Todos os dias a seguia discretamente, observando cada passo, cada palavra, cada gesto, não era obsessão mas sim prevenção, a minha reputação estava em jogo e, quem sabe, a minha vida. Anteriormente, melhores amigas, agora arqui-inimigas prontas a revelar os piores segredos de ambas se algo corresse mal. Não era algo que devesse temer pois nunca poderia acontecer! A decisão só poderia ser entre reatar a amizade ou elimina-la de vez, a primeira não era muito boa depois do sucedido e a segunda parecia demasiado drástica.
Ela não revelaria os segredos, não para já mas não poderia estar sentada que ela resolvesse por algum motivo contar os meus segredos, ela estava a uns passos de mim enquanto eu disfarçava que a seguia.
Aqueles pensamentos sobre que decisão tomaria enchiam-me de nervosismo e de raiva, o meu corpo parecia querer reagir por vontade própria e ir confrontá-la.
-Sabes aquela rapariga que costumava andar comigo...? - ouvi-la dizer.
"Aquela rapariga?" pensei estupefacta. Depois de tudo o que ela me fez, eu era aquela que parecia ser a culpada.
-Tenho um segredo para te contar... - ouvi sussurrar a minha amiga.
Comecei a andar a passos largos para ela, agarrei-lhe pelo braço e confrontei-a.
-O que pensas que estás a fazer? - protestei.
-Desculpa? - olhou-me de cima para baixo e levantou a sobrancelha direita -O que é que queres comigo, depois de tudo.
Agora era certo que ela queria fazer de mim culpada, depois de tudo o que se tinha passado, depois da humilhação que ela me tinha causado. Eu não iria ceder a um escândalo por causa da sua insensibilidade, não iria perder a minha posição e o controle que sempre tive das minhas emoções por causa dela.
Se ela queria começar uma guerra, eu só precisava de manter a calma e usar tudo o que ela fizesse a meu favor, mesmo já a tendo vencido uma vez, quando a fiz parecer uma mentirosa, essa foi apenas uma batalha, muitas viriam por a frente mas uma coisa eu garantia a mim própria vezes e vezes sem conta.
Não serei "aquela rapariga"!

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