Máscara social
Encontro-me em frente ao
espelho, vejo mas não me vejo, sei quem sou mas não o sou, sinto um arrepio sob a minha pele, como uma gélida
electricidade que passa rapidamente até á cervical, toco na superfície do meu
rosto sentindo o seu relevo, nada parece coincidir com o que os meus olhos
descrevem, sinto um vazio por de baixo da mascara que suporta os meus medos e
inseguranças.
É incerto quando a comecei
a usar, talvez desde sempre, talvez desde quando a consciência me jogou em
frente às verdades sociais. Algo em mim parece não me pertencer, uma deturpação
do ser que antes existia, um ser de pureza maléfica, destemido de
inconsequências, corajoso das suas inseguranças, embriagado nas suas mágoas. Um
ser bifurcado em ambições e contradições, que foge em direcção ao seu fado.
Com ambas as mãos junto um
pouco de agua e lanço-a em direcção á minha cara, esta refresca toda a
negatividade abatida sobre mim, escorrendo consigo as maiores preocupações momentâneas.
Num relance
avalio novamente aquele rosto deformado pelo tempo, sou eu sim, não sou o mesmo
mas sou eu, sou produto da sociedade e produto das minhas próprias ações,
possuo uma mascara falsa do meu eu, imposta pela norma, em concordância com o
mundo.
Uma Máscara ténue como um
véu que esconde os antigos recalques do ser que outrora existira, enterrado
sobre camadas rochosas de informação que pesam sobre o conceito pessoal de
cada um de nós.
Vejo mas não me vejo. Sei quem sou mas não o sou. Encontro-me em frente ao espelho. Sou eu.
Vejo mas não me vejo. Sei quem sou mas não o sou. Encontro-me em frente ao espelho. Sou eu.
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